Fotografia
O tempo passou e muito de mim passou com ele.
Tantas coisas que eu gostava que nunca deixaram nem deixarão de morar em mim, mas que hoje em dia já não cabem no apertado espaço do meu dia a dia.
Eu sinto falta do cheiro da tinta acrílica no papel, de folha sulfite branquinha e de unhas sujas de tinta nankin. Sinto saudades, de ler livros de teologia, de me emocionar lendo textos de piscanálise, de ler gibis, ir a bibiotecla pública, assistir mais filmes, andar de bicicleta e tantas outras coisas.
Contudo, nesse compasso, com passos lentos o tempo que passou também trouxe novas coisas tão fantásticas quanto aquelas. A Fotografia é uma delas.
Fotografar faz nascer em mim aquela mesma paixão que eu senti no início da minha carreira profissional. Aquela vontade desmedida de não apenas fazer mas fazer melhor.
Eu já quis ser demais. Ser cartunista, quadrinista, ilustrador, designer, psicólogo, teólogo, escritor, músico e até agora a pouco eu pensava que queria ser fotógrafo também.
Ora, de fato me encanta a percepção de que na vida eu sempre quis Ser muito mais do que Ter. Me encanta também perceber que no fim das contas o que conta é que eu sou um pouco de tudo isso.
Cupertino – California